terça-feira, janeiro 31, 2006

Trópico de Capricórnio

Tenho estado tão longe de tudo o que conheço. Tão longe de mim e tão perigosamente perto de ti...
Escolhi um retiro de luzes para procurar o que temo. Caminhei lado a lado com a Lua e com a Morte, eternas companheiras do meu sofrer, numa corrida frenética por tudo o que não conheço.
Varei as noites rapidamente procurando-te e fugindo da tua voz. A voz que chega até mim quando os sinos dobram. O olhar que me encontra no mais recôndito dos becos. O teu hálito quente, lascivo, roçando suavemente a curva do meu pescoço. A sinuosa mão que percorre gélidamente o meu ventre. A corda que me rasga os pulsos levando-me até ti.
Eu sem força.Eu sem vontade de resistir. Eu rastejando para ti. Eu! Eu! Eu!
Eu escrava da tua vontade! Eu presa às tuas mãos, manipulada como uma marioneta! Eu a tua boneca de adoração, na redoma do tempo para ser olhada, mas não tocada.
Num dia, não muito longe deste tempo que agora vivemos, espelhaste no teu olhar todos os nossos encontros e desencontros, todos os nossos amores, todas as nossas partidas, todas as nossas mortes. Vieste até mim com um negro presente, embrulhado em árvores secas e neblina. Vi o implorar do teu olhar para que o aceitasse e o teu sorriso de presságio.
Sei agora que te irei procurar por toda a eternidade...

Merely the sound of your voice
Made me believe that you were her
Just like the river disturbs
...my inner peace
One I believed I could find
Just a trace of her beloved soul
Once I believed she was all
Then she smothered my beliefs

One cold winter's night
I may follow her voice to the river
Leave me for now and forever
Leave while you can

Somewhere in time
I will find you and haunt you again
Like the wind sweeps the earth
Somewhere in time
When no virtues are left to defend
I was a liar in every debate
I rule the forces that fuelled your hate
When the cold in my heart leaves
It comes to an end
And quietly I'll go to sleep

How could that first time recur
When memories linger on
What made me think you were her
Helena is dead to all
Nothing can bring her to life
Don't pretend that I'll be loving you
Once I believed she was gone
But I'm corrupted from within

Somewhere in time
I will find you and haunt you again
Like the wind sweeps the earth
Somewhere in time
When no virtues are left to defend
You fall
I was a liar in every debate
I rule the forces that fuelled your hate
When the cold in my heart leaves
It comes to an end
And quietly I'll go to sleep

Follow me into the light
Leave me tonight
I've gone too far to begin all anew
With someone like you

Like ice on a lake of tears
I'll take you through
Life fades in anew
With someone like you

"The Haunting" - Kamelot

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Até...

Não consigo deixar de contar o tempo, o tempo que falta para que a tua cidade me acolha, o tempo que resta até que me julgues.
Nas tuas mãos um admirável mundo por sentir, nas tuas palavras a espada que pende sobre mim.
Corro para ti como se fosses a única salvação possível de todos os pecados que anseio cometer. Espero que me acolhas quando te acordar, quando felinamente cobrir o teu corpo com o meu, quando as minhas mãos te sugarem para mais perto.
Quero um momento visceral em que tudo seja possível de sentir. SodomaGeloSangueFogoSilêncioMorteÉden.
Quero ouvir os chacais que esperam pelo meu arfante tombar. Quero que a noite invada o leito. Quero que sintas mil mãos em ti. Quero o mundo num momento.
Depois... quero que me vistas o vestido negro de noiva jamais reclamada e que deixes que as cinzas me cubram no esquecimento dos dias que não foram vividos.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Eyes wide open

"When I move, you move with me, I feed of you, you feast on me ..."

Cativeiro

No frio calendário do tempo em que me movo, risco os dias.
Aos relógios acelero os ponteiros e entretanto levito. Levito sobre a vida que não vejo, a tua! No entanto, a estranha sensação de que agora, neste preciso momento, tudo começa a fazer sentido impera.
Agora percebo porque os anéis de fogo se formam, porque há astros que colidem, porque só eu conseguia ouvir quando rebentava um terramoto no equador, porque aquela voz vinda do rio chamava por mim, porque é que quando me deitava todos aqueles pequenos seres dançavam em cima do meu vazio corpo. Percebo agora as noites de contemplação acompanhadas pelo cigarro, as palmas viradas para o negro céu em espera, as batalhas perdidas, o sentir-me tão perto do acariciar de veludo negro e tão longe dos que julgam conhecer-me.
Vi que enquanto fechei os olhos tu construíste o sepulcro do meu ser e eu agora não sei como saír daqui.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Procura (sem final anunciado)

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny




P.S. Porque hoje não consigo. Porque hoje me sinto cansada. Os dedos gelados não querem obedecer, tornando assim o parco discurso em algo sem sentido. Porque já não acredito, nem me importa lembrar se alguma vez fui crente. As ténues certezas começam a desvanecer-se com o nascer do dia. A música em loop está a enlouquecer-me.

Come out, come out

Onde quer que estejas, aparece!
Magoa quando te escondes nos meandros da minha torturada alma. Colo as mãos na tua lembrança para te ler e espero.
Como sempre fiz...

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Fica

Afunda-te nas águas comigo. Vem e esquece. Nada será como foi. Tu esquecerás que nasceste e eu esquecerei que morri. Afunda-te nas águas comigo. Abraço-te por toda a eternidade. Sonhas o mais puro dos sonhos. Toca-me tepidamente. Assim... como se tivesses receio de me partir. Afunda-te nas águas comigo. Perco a vergonha. Ganhas o céu. Enredo-te em mortal frio. Esconde-te de quem vem para te buscar. Embrulho as mãos na tua pele de menino. Afunda-te nas águas comigo.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Palavras gume

Pelas quais te perdes. Pelas quais amas.
Pelas quais vagueias sem rumo. Pelas quais encontras. Pelas quais sofres. Pelas quais sorris. Pelas quais lutas. Pelas quais bebes. Pelas quais odeias. Pelas quais dormes. Pelas quais choras. Pelas quais transbordas. Pelas quais anseias. Pelas quais não comes. Pelas quais viajas. Pelas quais cruzas os braços. Pelas quais não te mudas. Pelas quais te levantas. Pelas quais te contorces. Pelas quais sonhas. Pelas quais desistes. Pelas quais unes. Pelas quais clamas. Pelas quais te afundas. Pelas quais vais mais longe. Pelas quais te despes. Pelas quais adormecerás eternamente, enquanto não te despertam...

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Fogo fátuo

Deixa que o sepulcral bater das asas do corvo te envolva e afasta-te de toda esta morte. Já há muito tempo que imploras o perceber cirúrgico daquilo que és, daquilo que só tu vês, que sentes, que não vives.
Acumula tesouros para que possam ser descobertos, roubados, para que lhes sintas a falta.
Lágrima
Corte
Fio de cabelo
Música
Fita vermelha
Foto
Folha rasgada de um livro
Memória
Unicórnio
Grito
Brinca com as chamas.
Fecha o baú.
Veste-te eroticamente como se fosses para um funeral.
Sepulta-te em âmbar enquanto o fogo-líquido se aninha por baixo da tua pele.

domingo, janeiro 15, 2006

Exorcismo

Tentar escrever no intervalo das lágrimas a princípio parece tarefa difícil.
Tentar que nos ouçam para além do grito de dor é alcançável.
É como vestir uma pele que não é nossa, é como mudar de casa, cortar o cabelo para olhar o espelho e tentar ver um outro eu.
Eu que já não assina eu.
Eu que não lembra tu.
Eu que lava o corpo na vã tentativa de lavar a alma, de apagar o cheiro de minutos passados, de sorrisos-fogueira.
A alma, entra em combustão espontânea, enquanto pressente o caminhar para uma morte que já não tem como ser adiada.
A alma não quer ser dissecada e pede ao corpo que tente não tocar o chão. A alma quer explicar-se, fazer sentido, quer ter lógica, então pede ao corpo que envergue outros sinais que não os verdadeiros, que dissimule como tão bem costuma fazer.
O corpo clama por castigo! Por noites sem dormir, por excessos i(ni)magináveis.
O corpo deixa-se sulcar para que algo, que nunca se compreenderá, seja poupado.
Os castelos irromperão em chamas cremando as princesas-da-longa-espera, o cavaleiro voltou a ter cabeça mas o cavalo não é alado, o dragão cuspirá água para acalmar o fogo de um mar que corre para o rio, os anjos caíram porque se esqueceram das asas no quarto de um qualquer demónio com quem lascivamente dormiram, os jardins engoliram Babilónia e os faraós fustigam-se com as cordas com que um dia ergueram os seus obeliscos.
Quanto a mim... eu quero ver o fim de tudo isto.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Love veins




You were the last scrap of life
Within my being
You tore up an eternal wound
You left me dying...

My heart burning in flames, for you, for all eternity...

I can't live without my life...I can't live without my soul...

Love is suicide...

"Love is suicide" - Desire

quarta-feira, janeiro 11, 2006

This is not a bedtime story

No meio da noite, o trémulo bater das asas da libélula chegou até ela carregando toda a tristeza... Como sempre, noite após noite, sentou-se em frente ao espelho e penteou mil vezes o cabelo. Em seguida, delicadamente colocou a escova em cima da mesa, ergueu o olhar e não se viu. Continuou o ritual. Caminhar para cama, desnudar o corpo para languidamente serpentear pelos lençóis. Repousando calmamente a cabeça na almofada, preparou-se para olhar o céu, a única coisa que partilha neste momento contigo. O mesmo céu... Não tardou a fazer-se sentir a tua falta, o lugar vago ao seu lado para todo o sempre ocupado. Parece que consegues ter a presença de uma multidão.
Quem te disse que ela não vive? Quem te gritou que ela te ama? Conta-me quem te desvendou o segredo, juro que não lhe direi...

domingo, janeiro 08, 2006

Athamé

O corpo cansado desejoso por vontade de continuar.
A busca, constantemente, repetidamente, veementemente, negada no altar da existência. Os olhos queimados do fitar enamorado. As mãos petrificadas da falta. Os pés inexistentes pelas facas caminhadas.
O som do tocar.
O beijo do olhar.
A conversa do corpo que pronuncia as palavras que os lábios cerrados arrastam para o vórtice das entranhas.
Secaperdidamurchaapagadaesquecidamortafechada.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Por momentos apeteceu-me rasgar o teu nome na pele...

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Emptiness...

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Viveria mil vidas para encontrar uma alma como a tua

Tive que saír a correr para que não me vissem chorar.
As apostas foram demasiado altas? É possível. Nunca fui capaz de viver ou sentir pela metade...
Os meus olhos falam contigo.
Porque não consegues ler o que eles te dizem? Porque tornas tudo tão difícil e me fazes sorrir, quando o que sinto está prestes a caír num grande vazio?
No vazio daquilo que não sentes.
Sinto que as palavras perderam o sentido que lhes dei, por ti deturpado.
Por ti esquecido.
Por ti ignorado.
Na noite em que olhei o mar, vi o reflexo do meu pequeno ser. Senti o quanto estava perdida sem ti e sonhei com um momento perfeito. As ondas rugiram sobre a minha cabeça como se de um grito de aviso se tratasse.
Escrevi o teu nome na areia e o mar levou-o.
Num outro lugar que não a praia, continuo à espera que o mar te traga de volta...

started a search to no avail
a light that shines behind the veil trying to find it
and all around us everywhere
is all that we could ever share if only we could see it
feel there's truth that's beyond me
life ever changing weaving destiny

and it feels like i'm flying above you
dream that i'm dying to find the truth
seems like your trying to bring me down
back down to earth back down to earth

layers of dust and yesterdays
shadows fading in the haze of what i couldn't say
and though i said my hands were tied
times have changed and now i find i'm free for the first time
feel so close to everything now
strange how life makes sense in time now

and it feels like i'm flying above you
dream that i'm dying to find the truth
seems like your trying to bring me down
back down to earth back down to earth
back down to earth back down to earth
"Flying" - Anathema

Tic tac tic tac tic tac tic tac